sábado, 27 de agosto de 2011

Por que não amar?


“Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com 
classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem se atreve...
A vida é muita boa para ser insignificante!”




apenas coisinhas de Aline... 



sábado, 20 de agosto de 2011

Sempre Sua

“-Lá fora a chuva canta uma melodia triste; eu vago pelas sombras da casa vazia. O pensamento me leva a ti!Beijo-te!
Um beijo quente brinda os meus sonhos. Saudade dilacerante de ti.Boa noite meu amor!”
Sempre sua.....




Ninguém jamais conquistou alguma coisa com lágrimas!


“O escritor Lewis Carroll, na sua obra:” Alice no pais das maravilhas”, nos dá a dimensão da importância de se ter objetivos claros, quando a menina pergunta ao gato qual o caminho que deve seguir. Ele a contesta perguntando para onde deseja ela ir e ela responde que não sabe.” Então- diz o gato- não importa o caminho que você tome!” Ou seja, para quem não sabe o que de4seja alcançar, qualquer ação é igualmente válida...e igualmente inútil!”
apenas coisinhas.....





quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dream’s



Já acreditei em contos de fadas, já sonhei no dia em que o príncipe encantado me buscaria, já sonhei que 'viveria feliz para sempre', e também já acreditei que lobo mau existia.
Com o tempo desacreditei, e perdi todo o encanto que senti um dia.
De repente não existia mais contos de fadas, nem lobo mal. De repente tudo deixou de existir. Isso aconteceu a partir do momento em que eu abri os olhos.
Você pode escolher entre abrir os olhos, ou sonhar para sempre, dentro do seu mundinho em que ainda existem contos de fadas!


apenas coisinhas de Aline...
Um Pouco Mais de Nós
Podes dar uma centelha de lua, 
um colar de pétalas breves 
ou um farrapo de nuvem; 
podes dar mais uma asa 
a quem tem sede de voar 
ou apenas o tesouro sem preço 
do teu tempo em qualquer lugar; 
podes dar o que és e o que sentes 
sem que te perguntem 
nome, sexo ou endereço; 
podes dar em suma, com emoção, 
tudo aquilo que, em silêncio, 
te segreda o coração; 
podes dar a rima sem rima 
de uma música só tua 
a quem sofre a miséria dos dias 
na noite sem tecto de uma rua; 
podes juntar o diamante da dádiva 
ao húmus de uma crença forte e antiga, 
sob a forma de poema ou de cantiga; 
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro 
do relógio da vida sem atraso, 
e sendo tudo isso serás ainda mais, 
anónimo, pleno e livre, 
nau sempre aparelhada para deixar o cais, 
porque o que conta, vendo bem, 
é dar sempre um pouco mais, 
sem factura, sem fama, sem horário, 
que a máxima recompensa de quem dá 
é o júbilo de um gesto voluntário. 

E, afinal, tudo isso quanto vale ? 
Vale o nada que é tudo 
sempre que damos de nós 
o que, sendo acto amor, ganha voz 
e se torna eterno por ser único e total.
 
Começo a Conhecer-me. Não Existo
Começo a conhecer-me. Não existo. 

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, 
ou metade desse intervalo, porque também há vida ... 
Sou isso, enfim ... 
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. 
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. 
É um universo barato. 

Álvaro de Campos

domingo, 3 de julho de 2011

Presente do Tony

SONHOS DE INSÔNIA


Num dia sombrio, nebuloso com um silêncio profundo.
Era tarde, chuvosa e segunda.
Levantei-me de minha cama, ainda era cedo.
Ascendi um vaporoso cigarro e fiquei ali um longo momento, ao som de nênias.
Poucas vezes acontecia de ter sonhos nos meus sonos, mas, isso não tem importância, pois, nunca me incomodou...
Meu quarto é escuro como um esconderijo, um refúgio, sempre me protege das auroras e dos raios solares infernais.
Lembro-me dos belos momentos que passei na companhia de vinhos, ao som de canções e com a presença de uma Deusa.
Desde que a morte levou-a consigo não entendo por que ainda existo.
Amamo-nos enquanto a Via Láctea cintilava, embaixo dos céus estrelados e dos luares cheios amarelados, lobos uivavam contemplando a nossa união sublime...
“Ó! Cidade terrível, sol que queima como no inferno, odeio-vos com todas as minhas forças!”.
Aquele ser de Deus a enganastes, levando-a para aqueles campos verdes ensolarados, onde tudo és luz.
Só pude sentir nas minhas próprias carnes a sua pálida queimando e se distorcendo.
Ardia profundo minha alma restando-me ao anoitecer as suas cinzas, que carrego durantes séculos dentro do meu ser...
“Maldito sejas tu ó Deus, que tirastes o meu ser amado, deixando-me sem um coração, repudio-te do fundo de minha existência, ela era um ser das trevas assim como eu sempre fostes”.
Em sua sepultura estive presente todas as noites, embriagando-me nos mausoléus, sonhando com teu retorno, levando-te rosas negras, as suas prediletas.
Sua lápide traz-me saudades dos momentos que foram somente nossos.
Olhando um momento ao meu redor tudo que avistei foram cruzes e esculturas, tão perfeitas nas formas e acabamentos, as árvores balançando ao som dos ventos gélidos...
Senti como se alguém me chamasse baixinho, vindo em minha direção, mas, foram apenas leves impressões que me enganaram os sentidos...
Volto ao meu quarto, deixo estes pensamentos vagarem, percebo um nítido sorriso maligno surgir em minha face, planos mirabolantes tomam conta de minhas ideias...
Sinto que falta pouco para anoitecer, o manto negro da noite envolverá novamente este mundo e começará outra vez a eterna caçada.

Tony Anders Barbs Couty 





Inverno

É tudo o que sinto

Viver

É sucinto


Paulo Leminski

Presente mais que especial do Tony

CAMINHOS



Pelo mundo vaguei a procura de um anjo
Em todos os lugares procurei
O Universo percorri
Na solidão eu morri.

Infinitos foram os obstáculos
Dúvidas nos momentos de fraqueza
Clamei por mais inspiração
Desistir jamais foi minha intenção.

Dia sombrio dia chuvoso
Nossos caminhos se cruzaram
Ó! Observei teus olhos tímidos estático
Encantadora, minha pálida sonhadora.

Meus sentidos se extasiaram
Nossos negros lábios unidos
Um juramento eu lhe fiz:
 “Sua sepultura há de ser a minha!”.

Tony Anders Barbs Couty


Amor de Vampiro

Vives na sombra da noite
Escondido de toda a luz
Que possa quebrar o teu encanto
Seduzes as tuas vítimas
Com o teu olhar poderoso
Com esse teu jeito maldoso
Derretes o gelo cortante da noite
Com as tuas palavras ardentes
Enceideias nas suas veias
Toda a maldade e pecado
Que possa existir dentro delas
Apagas de vez o sorriso inocente
Para dar lugar a alguém como tu
Estranho, Sedutor, Maquiavélico
Alguém que domina o mundo
Apenas no silêncio da noite
Alguém que conquista
o mais puro coração
Com os teus dentes afiados
Tiras a vida humana
mas ofereces vida já morta
Vida que é consumida na noite
E apagada durante a noite
Enganas quem te pede vida imortal
Pois ela só é vida na escuridão das trevas....

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Presente especial do Tony

Solfieri


— Sabei-lo. Roma é a cidade do fanatismo e da perdição: na alcova do sacerdote dorme a gosto a amásia, no leito da vendida se pendura o Crucifixo lívido. É um requintar de gozo blasfemo que mescla o sacrilégio à convulsão do amor, o beijo lascivo à embriaguez da crença! 
        — Era em Roma. Uma noite a lua ia bela como vai ela no verão pôr aquele céu morno, o fresco das águas se exalava como um suspiro do leito do Tibre. A noite ia bela. Eu passeava a sós pela ponte de... As luzes se apagaram uma por uma nos palácios, as ruas se fazias ermas, e a lua de sonolenta se escondia no leito de nuvens. Uma sombra de mulher apareceu numa janela solitária e escura. Era uma forma branca. — A face daquela mulher era como a de uma estátua pálida à lua. Pelas faces dela, como gotas de uma taça caída, rolavam fios de lágrimas. 
        Eu me encostei a aresta de um palácio. A visão desapareceu no escuro da janela... e daí um canto se derramava. Não era só uma voz melodiosa: havia naquele cantar um como choro de frenesi, um como gemer de insânia: aquela voz era sombria como a do vento a noite nos cemitérios cantando a nênia das flores murchas da morte. 
        Depois o canto calou-se. A mulher apareceu na porta. Parecia espreitar se havia alguém nas ruas. Não viu a ninguém: saiu. Eu segui-a. 
        A noite ia cada vez mais alta: a lua sumira-se no céu, e a chuva caía as gotas pesadas: apenas eu sentia nas faces caírem-me grossas lágrimas de água, como sobre um túmulo prantos de órfão. 
        Andamos longo tempo pelo labirinto das ruas: enfim ela parou: estávamos num campo. 
        Aqui, ali, além eram cruzes que se erguiam de entre o ervaçal. Ela ajoelhou-se. Parecia soluçar: em torno dela passavam as aves da noite. 
        Não sei se adormeci: sei apenas que quando amanheceu achei-me a sós no cemitério. Contudo a criatura pálida não fora uma ilusão: as urzes, as cicutas do campo-santo estavam quebradas junto a uma cruz.
        O frio da noite, aquele sono dormido à chuva, causaram-me uma febre. No meu delírio passava e repassava aquela brancura de mulher, gemiam aqueles soluços e todo aquele devaneio se perdia num canto suavíssimo... 
        Um ano depois voltei a Roma. Nos beijos das mulheres nada me saciava: no sono da saciedade me vinha aquela visão... 
        Uma noite, e após uma orgia, eu deixara dormida no leito dela a condessa Bárbara. Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos, gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado vazias na mesa: nos lábios daquela criatura eu bebera até a última gota o vinho do deleite... 
        Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o: era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal apertados... Era uma defunta! ... e aqueles traços todos me lembraram uma idéia perdida. . — Era o anjo do cemitério? Cerrei as portas da igreja, que, ignoro por que, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo... 
        Sabeis a historia de Maria Stuart degolada e o algoz, "do cadáver sem cabeça e o homem sem coração" como a conta Brantôme? — Foi uma idéia singular a que eu tive. Tomei-a no colo. Preguei-lhe mil beijos nos lábios. Ela era bela assim: rasguei-lhe o sudário, despi-lhe o véu e a capela como o noivo as despe a noiva. Era mesmo uma estátua: tão branca era ela. A luz dos tocheiros dava-lhe aquela palidez de âmbar que lustra os mármores antigos. O gozo foi fervoroso — cevei em perdição aquela vigília. A madrugada passava já frouxa nas janelas. Àquele calor de meu peito, à febre de meus lábios, à convulsão de meu amor, a donzela pálida parecia reanimar-se. Súbito abriu os olhos empanados. Luz sombria alumiou-os como a de uma estrela entre névoa, apertou-me em seus braços, um suspiro ondeou-lhe nos beiços azulados... Não era já a morte: era um desmaio. No aperto daquele abraço havia contudo alguma coisa de horrível. O leito de lájea onde eu passara uma hora de embriaguez me resfriava. Pude a custo soltar-me daquele aperto do peito dela... Nesse instante ela acordou… 
        Nunca ouvistes falar da catalepsia? É um pesadelo horrível aquele que gira ao acordado que emparedam num sepulcro; sonho gelado em que sentem-se os membros tolhidos, e as faces banhadas de lágrimas alheias sem poder revelar a vida! 
        A moça revivia a pouco e pouco. Ao acordar desmaiara. Embucei-me na capa e tomei-a nos braços coberta com seu sudário como uma criança. Ao aproximar-me da porta topei num corpo; abaixei-me, olhei: era algum coveiro do cemitério da igreja que aí dormira de ébrio, esquecido de fechar a porta . 
        Saí. Ao passar a praça encontrei uma patrulha. 
        — Que levas aí? 
        A noite era muito alta: talvez me cressem um ladrão. 
        — É minha mulher que vai desmaiada... 
        — Uma mulher!... Mas essa roupa branca e longa? Serás acaso roubador de cadáveres? 
        Um guarda aproximou-se. Tocou-lhe a fronte: era fria. 
        — É uma defunta... 
        Cheguei meus lábios aos dela. Senti um bafejo morno. — Era a vida ainda. 
        — Vede, disse eu. 
        O guarda chegou-lhe os lábios: os beiços ásperos roçaram pelos da moça. Se eu sentisse o estalar de um beijo... o punhal já estava nu em minhas mãos frias... 
        — Boa noite, moço: podes seguir, disse ele. 
        Caminhei. — Estava cansado. Custava a carregar o meu fardo; e eu sentia que a moça ia despertar. Temeroso de que ouvissem-na gritar e acudissem, corri com mais esforço. 
        Quando eu passei a porta ela acordou. O primeiro som que lhe saiu da boca foi um grito de medo... 
        Mal eu fechara a porta, bateram nela. Era um bando de libertinos meus companheiros que voltavam da orgia. Reclamaram que abrisse. 
        Fechei a moça no meu quarto, e abri. 
        Meia hora depois eu os deixava na sala bebendo ainda. A turvação da embriaguez fez que não notassem minha ausência. 
        Quando entrei no quarto da moça vi-a erguida. Ria de um rir convulso como a insânia, e frio como a folha de uma espada. Trespassava de dor o ouvi-la. 
        Dois dias e duas noites levou ela de febre assim... Não houve como sanar-lhe aquele delírio, nem o rir do frenesi. Morreu depois de duas noites e dois dias de delírio. 
        A noite saí; fui ter com um estatuário que trabalhava perfeitamente em cera, e paguei-lhe uma estátua dessa virgem. 
        Quando o escultor saiu, levantei os tijolos de mármore do meu quarto, e com as mãos cavei aí um túmulo. Tomei-a então pela última vez nos braços, apertei-a a meu peito muda e fria, beijei-a e cobri-a adormecida do sono eterno com o lençol de seu leito. Fechei-a no seu túmulo e estendi meu leito sobre ele. 
        Um ano — noite a noite — dormi sobre as lajes que a cobriam. Um dia o estatuário me trouxe a sua obra. Paguei-lha e paguei o segredo... 
        — Não te lembras, Bertram, de uma forma branca de mulher que entreviste pelo véu do meu cortinado? Não te lembras que eu te respondi que era uma virgem que dormia? 
        — E quem era essa mulher, Solfieri? 
        — Quem era? seu nome? 
        — Quem se importa com uma palavra quando sente que o vinho lhe queima assaz os lábios? quem pergunta o nome da prostituta com quem dormia e que sentiu morrer a seus beijos, quando nem há dele mister por escrever-lho na lousa? 
        Solfieri encheu uma taça e bebeu-a. Ia erguer-se da mesa quando um dos convivas tomou-o pelo braço. 
        — Solfieri, não é um conto isso tudo? 
        — Pelo inferno que não! por meu pai que era conde e bandido, por minha mãe que era a bela Messalina das ruas, pela perdição que não! Desde que eu próprio calquei aquela mulher com meus pés na sua cova de terra, eu vô-lo juro — guardei-lhe como amuleto a capela de defunta. Hei-la! 
        Abriu a camisa, e viram-lhe ao pescoço uma grinalda de flores mirradas. 
        — Vede-la murcha e seca como o crânio dela!
 Álvares de Azevedo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ao Meu Anjo Lindo


Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...


Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura do linho


Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Primeiro presente do Tony

INCONSTANTE


I

Num passado imperfeito as paixões foram ficando
O noturno soprar dos ventos me restando
Motivando idéias suicidas
Brisas de aromas cemiteriais tornadas
Trazendo lembranças vagas inconformadas
Apagam-se as paixões, eternizam-se os amores
O vinho amargo ameniza as nossas dores
O tempo nos faz compreender
Ser infeliz é dizer:
Amar o desamado é o meu querer.

Sombras que me consomem desde o princípio
Não as sinto, mas preciso, é um vício
As luzes venceram divinamente
A batalha cessou temporariamente
Escuridões escondem-se no inconsciente
Levando nos braços o manto do poder
Não alegro, sim, entristeço em perceber
Podes um ser o destino perder
Angustias como essas não há maior
Somente em frente as faces torna-se menor
A maldição de ser dois num próprio é ainda pior.

II

Deixem-me nas trevas
Silêncio, melancolia e escuridão
Minhas noites são depressivas
Meus sonhos uma ilusão
Dias mortos, noites vivas
Trazem descanso para meu coração
Suavizam as intensas dores
Não haverá mais perseguição
É deserto aonde quer que fores
Seguindo para o martírio
Brindando com sangue um destino.

O passado persegue-me incansavelmente
Em momentos do riso torturado
Planos até então diluídos na mente
Ressurgem os sentidos ressaltando
Deixem-me na pureza, vos imploro!
Não lhe bastam os sentimentos malignos todos
Nem as ilusões causadas incessantemente
Serei bravo e heróico mais que todos vós
Não me afogarei em perdição
Aqui jaz um ser sem limites
Um homem sem temores.

III

Noites de insônia na cela ou em qualquer outro lugar
Implorando procuro por um luar
Entre as nuvens negras e no mar.
Apareça para mim deixando te sentir
Toma sentido o viver lhe vendo surgir
Nos meus olhos há brilho do teu luzir.
Em tua natureza quero me viciar
Sua magia é de extasiar
Sem tê-la a abstinência faz a existência apagar.
Perfure as formas sem te diluir
Juro que irei desfalecer se um dia ainda lhe vir sorrir
Imagine se meus lábios nos teus se unir.

Vamos aos campos sagrados chegar
Lâmina nos pulsos pronta para deslizar
Resistência não irá adiantar
A dor se faz forte, mas, não se pode parar
É preciso o amor alimentar
Quando a canção acabar irei começar
As madrugadas não há mais porque esperar
Os luares me fazem chorar
Vivo pesadelos a sonhar
Agora já é hora de deitar
Ouço vultos a cantar
Meu sepulcro venha por fim fechar.



Tony Anders Barbs Couty